Testemunho de um vencedor

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Muitos amigos da ABDET estão na difícil jornada dos concursos públicos, para incentivá-los a superar esta etapa da vida, colocamos aqui alguns relatos de pessoas que venceram e conseguiram realizar seu sonho. Hoje a história contada é de nosso amigo João Augusto, recentemente aprovado para o cargo de Juiz Federal da 2ª região.

 

João Augusto – PARTE I – O INÍCIO DE TUDO

O nosso vencedor de hoje chama-se João Augusto, tem 26 anos e foi recentemente aprovado no último concurso de Juiz Federal Substituto do Tribunal Regional Federal da 2º Região – RJ/ES.

Sua história é emocionante e com certeza servirá de inspiração para todas as pessoas que se encontram nesse tortuoso caminho dos concursos públicos.

Em primeiro lugar, João Augusto sempre foi um homem devotado – mesmo durante suas derrotas, jamais perdeu a fé de que realizaria seu sonho e virar juiz. Em seu testemunho: “A palavra de ordem é, sempre nas palavras do salvador e mestre Jesus Cristo: Tudo é Possível para Aquele que Crê (Mc 9:23)”.

De origem humilde, João Augusto cursou o ensino fundamental e o ensino médio em escolas públicas e nunca encarou isso como um empecilho para entrar em uma boa faculdade e conquistar a carreira desejada, pois sempre foi dedicado aos estudos.

Porém, o Direito não foi a primeira opção de João Augusto – antes disso, ele prestou vestibular para Ciências Contábeis e até Medicina!

Depois de ter obtido uma nota boa no ENEM, João entrou na Faculdade de Direito em Curitiba, ganhando bolsa de 50% da mensalidade. Mas a vida não era fácil – o estudante morava a uma distância de 100 quilômetros da faculdade, levando mais de 5 horas no caminho, somado isso ao estágio que fazia e ainda, à dedicação aos estudos para obter boas notas.

A jornada de João Augusto se inicia com o primeiro concurso para o Porto de Paranaguá – com uma nota mediana, o concurseiro não obtém uma boa colocação e sequer é chamado. O mesmo aconteceu com o segundo concurso prestado: para o Ministério Público da União, apesar da nota ter aumentado, a colocação foi ainda pior.

Nos anos de 2006 e 2007, nosso herói prestou concurso para, respectivamente, os Tribunais Regionais Federais da 4º e 9º região, tendo sido desclassificado nos dois.

Em 2008 prestou para analista e técnico judiciário do TRE-RS, obtendo uma boa colocação. Porém, o concurso é anulado. No mesmo ano, prestou para TRT 15ª Região, mas não obteve uma boa colocação. Sobre esse concurso, diz João Augusto: “na prova de Analista Judiciário minhas canetas me deixaram na mão e ouvi do examinador que não poderia emprestar de ninguém, mas depois acabou emprestando”.

Em 2009 surge o concurso para analista do TRE-SC – após um estudo forte, João fica com uma ótima classificação – 94º lugar no ranking final. Infelizmente, o concurso foi anulado. Após recursos, o Tribunal acabou por homologá-lo, porém o CNJ suspendeu as nomeações.

Cansado das derrotas, João Augusto decide morar em Curitiba para fazer cursos preparatórios.

João Augusto – Parte II – A FORÇA E A FÉ

Já em Curitiba, o incansável estudante passou pelas agruras de morar em uma cidade grande – enfrentou ameaças e assaltos juntamente com membros de sua família, agradecendo a Deus por saírem ilesos.

Sem desistir, matriculou-se no cursinho e continuou a prestar novos concursos – para o TJ-SC e para o de Advogado URBS/Curitiba, João Augusto é eliminado por uma única questão.

Após obter uma colocação ruim no concurso do MPU, João Augusto sofre um baque – uma pessoa de sua confiança lhe abalou as estruturas mentais ao falar que ele tentava, porém, nunca passava em nada: “Era verdade, não passava em nada. Lembro-me da sensação de frustração toda vez que via o gabarito, o ranking no CorreioWeb, os editais de classificação e sempre com resultados ruins ou inexpressíveis”.

Mas sua fé jamais foi abalada – ele sabia que o Plano Maior lhe reservava um lugar especial em razão de toda sua dedicação. E assim continuou firme nos estudos.

Em 2010, foram abertos os concursos para DPU e para AGU. No primeiro, João Augusto é eliminado por míseros 0.35 pontos.

Porém, foi no concurso da AGU que a vida começa a sorrir para nosso homenageado (depois de ter passado por fortes emoções!).

João Augusto – Parte III – A VIDA COM EMOÇÕES

Inscrito no concurso da AGU, João Augusto recorre à vídeos-aulas para suprir a deficiência de algumas matérias que não teve durante da faculdade; além de ter feito uma leitura sistemática da lei seca, uma semana antes da prova.

Apesar da extenuante prova de dois dias (sábado e domingo) e do método rígido de avaliação (uma errada anulava uma certa), João Augusto fica na posição 115 do ranking, e consegue ser classificado para a inscrição definitiva após 2ª fase.

O momento de felicidade se transformou em desespero e angústia: o nome de João não constava na lista de aprovados, pois, segundo a Banca Examinadora, ele teve a inscrição indeferida em razão da falta de um documento.

Foi interposto recurso administrativo visando reverter a situação e antes do resultado final, o concurseiro comprou livros visando estudar para a fase oral: “Isso foi um exercício de FÉ. No grande dia abro o edital e o impossível começa a acontecer. Inscrição definitiva e recurso provido (…). Incrivelmente eu estava confirmado rumo a Brasília (um sonho para mim no 9º período da faculdade). Foi um dos dias mais felizes da minha vida, sensação de ter recebido um presente”.

Em Brasília, João aguarda sete longas horas sentado para a sua arguição oral (ele chegou ao local 12:30 e foi arguido somente às 20:00). Nessa fase, João subiu 100 posições no ranking.

OAB: Como ainda estava na faculdade, nesse meio tempo João também estudava para a OAB – foi aprovado na 1º fase e reprovado na 2º fase, o que o deixava em uma situação muito complicada: “Com a AGU, mas sem a OAB, nada de cargo de Procurador!”.

Durante o programa de formação da AGU, João Augusto prestou novamente a OAB e dessa vez conseguiu a aprovação. Ao mesmo tempo, defende sua monografia na faculdade e cola grau. A felicidade foi tamanha, que João Augusto foi recebido com uma festa surpresa em sua cidade natal, quando voltou para contar pessoalmente as boas novas para sua família e amigos – “felicidade que não dá para explicar”.

João Augusto – Parte IV – O SONHO SE TORNA REALIDADE

Em 2011, antes de ser nomeado Procurador Federal, João Augusto passou por problemas pessoais arrebatadores: “Eram maiores, mas muito maiores do que eu poderia suportar (…). Literalmente, não dá para explicar, foi algo arrasador, destruidor, pior do que tudo que já passei, aniquilou minha vida, o meu ser de um jeito que eu não gosto nem de lembrar”.

Em razão desse problema, João Augusto ficou 6 meses sem estudar e pensou em desistir do sonho de ser juiz. Porém, um dia, ao ligar a TV em sua casa, ouviu uma mensagem motivadora que tomou para si e o fez continuar: “Você que está em casa, você que está me ouvindo, ouça o que vou te dizer agora: nunca, mas nunca mesmo desista dos teus sonhos”.

No final de 2011, João assumiu um cargo comissionado como assessor de um estabelecimento penal de sua cidade. Já no primeiro dia, nosso herói visitou a cadeia pública no mesmo dia em que os presos decidiram fazer uma rebelião: “Nesse período, eu tinha que acordar às 3 e meia da manhã para estudar”.

Finalmente João Augusto é nomeado Procurador Federal, porém confessa: “não parei minha preparação para o TRF. Estudava até no hotel antes de alugar a casa na cidade nova, esperando a oportunidade para iniciar os concursos de Juiz Federal”. Sua motivação foi escrever frases de efeito e metas para que ele pudesse se inspirar e cumprir.

E assim, iniciam-se as tentativas de se tornar Juiz Federal:

a) Concurso TRF 4º Região: 2012/2013:

Depois de se preparar através de um estudo bastante focado, consegue aprovação da fase objetiva e subjetiva, avançando para a elaboração de sentenças. Confessa que a fase de sentenças foi a prova mais difícil e extensa que já fez em toda sua trajetória. Apesar disso foi aprovado. No entanto, por ainda não ter os 3 anos necessários para a inscrição definitiva (tinha 2 anos e 9 meses de atividade jurídica), foi eliminado há 5 dias da prova oral.

b) Concurso TRF 2º Região: 2012/2013: Reprovado por pouco na prova subjetiva.

c) Concurso TRF 5º Região: 2013/2013: Reprovado na sentença cível.

d) Concurso TRF 3º Região: 2013/2014: Reprovado na sentença cível.

e) Concurso Ministério Público Federal: 2013/2014: Não fez a segunda fase, pois caiu na mesma data do TRF 3º.

f) Concurso TRF 1º Região: 2013/2014: Reprovado na 1º fase por duas questões – após ter impetrado ação judicial e obtido a liminar, avançou para a segunda fase, mas foi reprovado.

g) Concurso TRF 2º Região: 2014/2015

Eliminado na sentença cível – entrou com o recurso administrativo e acabou sendo aprovado nessa fase. Inscrição definitiva deferida e prova oral marcada para sua 22.01.2015.

Durante as festas de final de ano, nosso concurseiro não parou de estudar.

Chegado o grande dia, o candidato fez uma oração para tirar o ponto 8 e assim aconteceu! “Lá pelas 10:00 da manhã a ansiedade começou a bater forte, a concentração já tinha ido para o espaço e não conseguia estudar direito”.

E aqui, nós finalizamos a história com as próprias palavras de João Augusto.

“Finalizada a prova, volto ao Plenário para a divulgação das notas. Isso mesmo, olho no olho, na frente de todo mundo. Coração, emoção e tudo que possa imaginar. O Presidente da Banca inicia “declaro reaberto o concurso e informo que todos os candidatos foram aprovados”. Olhei para o céu com um sentimento indescritível e nos abraçamos no plenário, com todos batendo palmas”.

“Foi um dos dias mais extraordinários da minha vida. Algo que palavras não descrevem, todos esses 9 anos de estudos, de muitas derrotas, tristezas, angústias e a aprovação estava ali, concretizada, realizada, para sempre“.

Gostou da história de João Augusto? Fiquem ligados para as dicas que esse novo Juiz Federal deu para os que ainda estão na luta e, assim como ele, irão até o fim para ter sua merecida vitória.

João Augusto – Parte V – DICAS

1. Ser gênio é uma exceção. A pessoa deve ser esforçada, dedicada e ter muita disciplina.

2. O nome da faculdade não aprova ninguém – o sucesso depende do aluno.

3. Para vencer a guerra, é necessário perder várias batalhas.

4. Trabalho e Estágio não atrapalham nos estudos, ao contrário, ajuda a pensar e raciocinar, principalmente nas provas subjetivas.

5. A quantidade de horas necessárias para o estudo são sempre aquelas que você tem disponível em seu dia. De segunda à sábado. Domingo era dia livre para esquecer um pouco da vida de concurso. Estudos também durante férias e feriados.

6. Cursinho é necessário somente se o candidato não se dedicou à faculdade, se está sem tempo de estudar ou para determinadas disciplinas que tenha mais dificuldade.

7. O estudo deve ser feito sempre em locais isolados.

8. Tripé da Aprovação: (i) sempre procurar notícias e julgados nos sites oficiais e blogs; (ii) escolher doutrinas que o candidato se sinta mais confortável em ler; (iii) Jurisprudência e Lei Seca.

9. Técnicas de Estudo: (i) resumos; (ii) grifo – mas não adianta grifar tudo; (iii) leitura dinâmica – 50 a 60 páginas por hora, principalmente em retas finais; (iv) Simulados de provas orais; (v) grupos de estudo; (vi) resolução de questões; (vii) revisão de tudo.

10. Estude mesmo sem motivação, triste, deprimido, com sol, com chuva, com vitória, com derrota: apenas estude. É extremamente complicado ficar motivado em todos os momentos, mas estude sempre quando não tiver mais nada importante para fazer (e poucas coisas serão mais importantes do que estudar). É uma fase passageira, que irá gerar satisfação para o resto da vida.

Bibliografia Indicada pelo Juiz:

Constitucional: Gilmar Mendes, Pedro Lenza, Alexandre Moraes;

Administrativo: José dos Santos Carvalho Filho, Celso Antônio, Rafael Oliveira;

Tributário: Ricardo Alexandre, Alexandre Rossato , Kioshi Harada, Leandro Paulsen

Civil: Flávio Tartuce, Sebastião de Assis Neto, coleção do Cristiano Chaves de Farias;

Processo Civil: Fridie Didie Jr., Marinoni, Humberto Theodoro Júnior, Marcus Vinícius Rios Gonçalves;

Penal: Rogério Greco, Luiz Regis Prado, Fernando Capez (Parte Geral) + José Paulo Baltazar Jr. (Crimes Federais, essencial);

Processo Penal: Norberto Avena; Paccelli; Renato Brasileiro; Victor Eduardo Rios Gonçalves;

Previdenciário: Frederico Amado;

Empresarial: André Luiz Santa Cruz Ramos, Fábio Ulhoa Coelho;

Internacional: Paulo Henrique Portela, Rezek;

Ambiental: Anderson Furlan, Frederico Amado;

Financeiro: Regis Fernandes de Oliveira;

Econômico: Lafayete Josué Petter;

Consumidor: Cláudia Lima Marques;

Sentença Cível: Nagibe Neto, Alexandre Henry Alves;

Sentença Penal: José Paulo Baltazar Jr.;

Humanística: Filosofia do Direito do Paulo Nader

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4 Comentários

  1. João, Parabéns! Mts sucessos e felicidades na carreira. Comecei a estudar para Procuradorias estaduais desde novembro de 2014 e tenho fé em Deus, assim como vc. Ele é maravilhoso e nos ama mt. Será que vc pode me mandar seu email ou facebook para falarmos reservadamente? Temos histórias de vida parecidos.

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